DELEGADO DE ELITE SUSPEITO DE TRÁFICO MOVIMENTOU R$ 442 MIL E TINHA MANSÃO DE R$ 2 MILHÕES EM MS

Apontado como peça central de um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas pela polícia e revendidas ao tráfico, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa movimentou ao menos R$ 442.652 em valores considerados suspeitos pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), segundo relatório da Operação Infiltrados.

A investigação também questiona a origem dos recursos usados na construção de um imóvel de alto padrão em um condomínio de luxo de Campo Grande. Conforme o relatório, os gastos com a residência chegaram a cerca de R$ 2 milhões.

A movimentação suspeita do delegado é detalhada na denúncia do Gaeco, que embasa a operação responsável pela prisão do delegado e de outros investigados em 24 de setembro.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA: Tráfico Interestadual de Drogas e Associação para o Tráfico; Lavagem de Capitais / Ocultação de Bens; Corrupção Passiva e Ativa; Peculato/Desvio de Entorpecentes e Bens Apreendidos.

O MPMS também pede a demissão e a perda da função pública de todos os servidores envolvidos, incluindo o delegado, em razão da violação dos deveres com a administração pública e do uso da estrutura pública para o cometimento dos crimes.

Movimentação financeira de outros policiais

O relatório também detalha movimentações financeiras e a suposta participação de outros agentes de segurança no esquema investigado.

Douglas Tobias, investigador da Polícia Civil: Segundo o Gaeco, o investigador realizou 152 depósitos em dinheiro considerados suspeitos em sua conta pessoal, que somaram R$ 350.485.

A conta empresarial de uma loja de móveis vinculada a ele recebeu outros 151 depósitos considerados atípicos, no total de R$ 151.643,50, além dos R$ 75 mil transferidos pelo delegado Hoffman.

Os investigadores também apontaram possível incompatibilidade patrimonial. Entre os bens associados ao investigador estão uma residência avaliada em cerca de R$ 4 milhões e um Ford Mustang Shelby GT500 estimado em R$ 370 mil.

Nilton Cesar Sales dos Santos, investigador da Polícia Civil: Conforme a investigação, Nilton disponibilizava equipamentos de rastreamento por GPS, conhecidos como “carrapatos”, para monitorar veículos e locais onde drogas eram armazenadas. Um dos dispositivos aparecia nos sistemas com a identificação “NILTON DERF”.

Interceptações telefônicas citadas no relatório indicam que as operações de desvio de entorpecentes poderiam render pagamentos de R$ 50 mil a R$ 60 mil para cada policial envolvido em uma ação bem-sucedida.

Thiago Bezerra Laurentino, conhecido como “Grandão”, e Alison Lemes Bezerra, o “Daga”: Os dois policiais militares são apontados pela investigação como responsáveis por participar de interceptações e abordagens a caminhões e outros veículos utilizados no transporte de drogas.

Segundo o relatório, enquanto os agentes realizavam as abordagens, comparsas de Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, retiravam parte dos entorpecentes transportados.

Áudios interceptados durante a investigação também foram citados como indícios de recolhimento de propina em dinheiro vivo decorrente do desvio das cargas.

O relatório também aponta a participação de outros agentes públicos:

Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos, policial penal: teria realizado consultas irregulares no sistema SIGO para auxiliar os monitoramentos do grupo.

Augusto Torres Galvão Florindo e Marcos André Santos Chaves, policiais civis: são apontados como suspeitos de participar do desvio de drogas apreendidas que, segundo a investigação, não eram registradas nos boletins de ocorrência oficiais.

G1

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